Voo 447, Crimes Hediondos e Engenharia Social 3.0


Há algum tempo bloquei sobre o fenômeno Conficker e fiz uma comparação com o worm Morris, evento de mais de 20 anos de idade e o quanto aprendemos (ou não aprendemos) desde então.


Com a recente tragédia no voo 447, começaram a “chover” emails falsos de toda a sorte, com iscas do tipo “fotos exclusivas do acidente”, “sobreviventes encontrados” entre muitos outros. Um chamariz perfeito para usuários menos treinados ou mais curiosos.


Rios de dinheiro tem sido gastos com ferramentas e novas técnicas de proteção contra esse tipo de ameaça, mas será que estamos escolhendo os campos de batalha corretos?


Aprendemos cada vez mais o papel do usuário nesse tipo de incidente, mas aparentemente não aprendemos o suficiente para cuidar dos usuários.


No acidente aéreo ocorrido no Brasil no ano passado quando duas aeronaves colidiram no ar, até mesmo fotos falsas (provenientes de uma serie de TV onde ocorre um acidente logo no primeiro episódio) foram usadas para chamar a atenção de usuários incautos.


Essas não exatamente novas, mas certamente bem criativas formas de se utilizar engenharia social requerem cuidados ligados a conscientização e constante esforço junto aos usuários. Antivírus de forma isolada não são suficientes (embora uma verificação ortográfica integrada pudesse ser uma boa idéia – Muitos desses emails são maravilhas da engenharia social mas ataques violentos a língua portuguesa). “Vazou OS videos do Desastre” é um bom exemplo disso. A construção desses emails ainda é bem arcaica, mas com o uso de logotipos e imagens surrupiadas de sites de noticias e outros artifícios como links falsos (como no exemplo onde o email sugere que o link é da FAB mas na verdade aponta para um site que hospeda o código malicioso)


Vale a pena conscientizar os usuários sobre esses “fenômenos” e manter máquinas atualizadas e processos bem definidos para monitorar mudanças de configuração, aderência a políticas de segurança corporativas entre outras medidas importantes. Crimes hediondos recentes, tragédias que circulam a mídia: A temática central muda, mas a engenharia social só se aperfeiçoa. Quando surge uma nova manchete, golpistas certamente usaram esse artifício para melhorar os resultados de sua “pesca”.


A cada incidente temos que aprender não apenas as questões técnicas envolvidas mas também como nossos usuários reagem para que os mecanismos de defesa possam aprender com cada experiência.


Aylton Souza       


 

falso 447.jpg