Uma janela para o mundo em linha para estudantes com deficiência visual no Quénia


Publicado por: Djam Bakhshandegi, Chefe de Cidadania e Parceiros em Aprendizagem, Microsoft da África Ocidental, Oriental, Central e Ilhas do Oceano Índico

Na minha função na Microsoft passo muito tempo a lidar com organizações que estão a exercer impacto positivo em África. Mas existe uma que me toca especialmente o coração porque apoia crianças que não só enfrentam muitos dos desafios comuns encarados pelas crianças em África, mas também têm deficiência visual ou são cegas. A Escola Thika para Cegos é um internato que proporciona instalações de ensino para mais de 200 estudantes com deficiência visual. Sendo a única escola secundária para cegos na África Oriental e Central, o internato oferece terapia da fala, competências de vida, braille e classes para visão reduzida a alunos de infantário, e escola primária e secundária.

inABLEé uma organização que trabalha pata ligar estas crianças – em muitas outras em África –  com computadores e recursos de tecnologia. Com apoio dos parceiros fundadores incluindo a Microsoft, lançou o primeiro programa de computador do Quénia de tecnologia de apoio na Escola Primária Thika para Cegos em 2009. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os alunos da Thika usam computadores normais com teclados padrão, para assegurar que se possam adaptar a um ambiente de trabalho ‘normal’. Usando leitores de ecrã de texto para fala, software activada por voz e ferramentas de ampliação de ecrã para estudantes com visão parcial, os alunos podem facilmente navegar em um computador normal. Têm acesso fácil a recursos educacionais em linha, comunicam com novos amigos em todo o Mundo, dactilografam dissertações, e pesquisam trabalhos de casa, ao mesmo tempo desenvolvendo competências para emprego. Carol Ngandi, a instrutora chefe de informática da inABLE afirma que as crianças gostam muito do programa, “Podem enviar e-mails aos amigos e familiares. Podem adquirir notícias e assim podem estar actualizados e gostam muito disso”.

Ngandi afirma que para além de fornecer competências valiosas às crianças, o acesso à internet só por si proporciona às crianças cegas uma janela para o Mundo que não podem ver. “Muitas não são cegas desde o nascimento e dizem que quando perderam a visão toda a sua vida ficou em escuridão. Mas agora que têm computadores, dizem que os olhos foram abertos pela internet”.

Visitando a escola e conhecendo algumas das crianças, lembrei-me da importância de assegurar acesso igual a tecnologia.

“Se bem que o Mundo esteja cheio de sofrimento, está também cheio da sua subjugação” – Helen Keller

 Irene Nthambi é uma das melhores alunas da escola distinguindo-se em conhecimentos de informática, apesar de ser não só cega mas também sofrer de uma doença que a incapacitou do uso das mãos. Desenvolveu a capacidade única de dactilografar com a língua e lábios, simultaneamente usando auscultadores para ouvir o que está escrito no ecrã. Os professores da Irene afirmam que ela é uma das crianças mais inteligentes da classe, especialmente quando se trata de usar computadores.  A sua excelência apesar das incapacidades que encara realçam o sucesso do programa.

A Organização Mundial da Saúde calcula que pelo menos 26,3 milhões de pessoas em África têm deficiência visual. O trabalho da inABLE e Escola Thika são exemplos brilhantes do que se pode alcançar quando pessoas e organizações excepcionais formam associações fortes; e na Microsoft orgulhamo-nos muito de ter parceiros inspiradores executando trabalho tão importante.


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