Tecnologia em África: O potencial, as crises – e as oportunidades que apresenta


Por Kabelo Makwane, Gerente Nacional da Microsoft Nigéria

Um homem importante disse uma vez que a internet é o maior equalizador. Eu vou mais longe ao dizer que acesso à informação através da tecnologia é o maior equalizador.

 Lembro-me da primeira vez que liguei um computador. Foi depois do ano de Matrícula, e era um PC x286 operando com MS DOS. Eu estava totalmente fascinado pelo cursor a piscar, e por programas como WordPerfect e Pascal. Daquele dia em diante, comecei a aumentar a minha própria colecção de software, inicializando programas a partir de uma série de disquetes de 1,44 MegaBytes. Ainda estou a aumentar a minha colecção, só que agora estou a usar dispositivos de armazenamento USB com 34 GigaBytes de espaço, e com menos de um décimo do tamanho!

A tecnologia tornou-se muito menor ao longo dos anos. Mas como facilitador, a tecnologia está cada vez maior. Agora que a interface de usuário natural se tornou tão integrante, não é necessário ser um cientista para usar um computador. Qualquer pessoa com um computador pode, e de facto está, a usar computadores para ter acesso a informações valiosas que levam a novas perícias, e até mesmo oportunidades económicas. A tecnologia permite que pessoas de todo o mundo explorem o seu verdadeiro potencial. Torna as indústrias mais produtivas e competitivas. E permite que os governos sejam mais eficazes na prestação de serviços e permaneçam ligados aos seus cidadãos.

Informação tornou-se como uma moeda e o acesso a esta – seja através de meios tradicionais, internet, meios sociais ou comunicações móveis – tornou-se a força vital de economias prósperas. Os cidadãos estão ligados em tempo real – podem ser produtivos em qualquer lugar! E as empresas podem oferecer produtos e serviços na hora, lugar e aos preços certos. TIC oferece oportunidades de transformação para a África.

Infelizmente, existe uma escassez de competências necessárias para implementar, executar e manter a maioria destes sistemas de TIC em África. Estas competências são muito procuradas no mundo, e infelizmente, os Africanos qualificados estão a gravitar na direcção dos mercados mais desenvolvidos com melhores pacotes de remuneração. No entanto, se queremos resolver os desafios relacionados com tecnologia do continente, precisamos de soluções Africanas, desenvolvidas por povos Africanos. Soluções que são relevantes e que tenham em conta o actual conjunto de circunstâncias. Somente um Africano sabe a melhor forma de resolver um problema Africano. Então, como vamos incentivá-los a permanecer? Como podemos incentivar mentes brilhantes para desenvolverem soluções localmente relevantes?

Asseguramo-nos de que eles vejam valor nas oportunidades da África.

Existe enorme oportunidade em soluções móveis. Sabe que existem, em média, 2,5 telemóveis por pessoa no continente Africano? Aplicativos móveis tornaram-se o centro de como as pessoas criam soluções para os desafios da vida real. Olhe, por exemplo, à aplicação Kytabu de Tonee Ndungu, que fornece livros acessíveis a alunos do Quénia. Ele acabou de receber uma doação de inovação da Microsoft . O seu aplicativo também foi nomeado a aplicação mais provável para mudar o mundo nesta década.

Os dispositivos móveis tornaram-se também as nossas ferramentas chave de contacto e entretenimento. Considere o Abiola Olaniran, da Nigéria, CEO da Gamsole e desenvolvedor de jogos móveis. Nas primeiras 11 semanas, Abiola recebeu mais de um milhão de descargas dos seus jogos. Ele agora é o mais bem pago desenvolvedor de Jogos para Windows da Nigéria.

Tonee e Abiola viram oportunidades. E aproveitaram-nas. Infelizmente, quando se trata de oportunidades em TIC, muitas pessoas cometem dois erros cardeais. Um: Pensam que precisam de um diploma ou grau universitário em TIC para começar. Mas se eu lhe disser que Tonee tem uma licenciatura em Relações Internacionais e Jornalismo? Como eu disse, é o acesso à informação que é o maior equalizador. Existem tantas ferramentas de TIC grátis em linha, onde pode ensinar a si mesmo e desenvolver as suas próprias competências. A Microsoft, por exemplo, tem a Academia Virtual Microsoft, um portal enorme em linha cheio de formação e cursos gratuitos de TI em linha, todos eles concebidos por especialistas do sector. E isso é apenas uma das nossas ferramentas.

O segundo erro é que os estudantes e graduados pensam que serem qualificados em TIC só por si é a única maneira de ter uma carreira na área de TIC. Mas eu digo, o campo é vasto! Vendas, na verdade, é uma área em TIC, onde existe uma grande falta de pessoas qualificadas e experientes. Porque é que as vendas são relevantes? Até a Microsoft tem que vender os seus produtos! No fim de contas nós somos um negócio. Eu, por exemplo, estudei para um Bacharel de Comércio em Finanças e Sistemas de Informação de Gestão, e um mestrado em Administração Comercial. Agora sou o gerente nacional da Microsoft na Nigéria! Existe, e existirá sempre, valor em competências chave comerciais. TI, afinal, existe para apoiar negócios. Encontrar soluções de negócios que estão, em primeiro lugar, apoiadas por soluções de TIC é uma área onde eu estou no meu elemento.

Não tenho dúvidas de que a África é a terra da oportunidade. Não há lugar como este. Eu só mencionei algumas das suas oportunidades aqui, mas como gerente nacional na Nigéria, declarei como meu objectivo ajudar os Africanos a verem mais destas oportunidades. Eu quero que eles vejam o valor nelas e promover competências significativas do século XXI que os ajudarão a as abraçar. Eu encorajo todos os Africanos a jogarem, aprenderem e explorarem com a tecnologia. Você tem o acesso às ferramentas – aproveite a oportunidade para desbloquear o seu potencial e criar o seu destino próprio!

 


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