Para onde vão todos os nossos dispositivos velhos?


Por Djam Bakhshandegi, Chefe de Cidadania e Parceiros em Aprendizagem, Microsoft da África Ocidental, Oriental, Central e Ilhas do Oceano Índico

 Estamos a viver na que muitas pessoas chamam a ‘era do consumo’. Compramos constantemente novos dispositivos e aparelhos, a maior parte dos quais têm prazos de vida relativamente curtos. A duração da maior parte dos dispositivos electrónicos é só cerca de 3 anos. E não é só porque algumas coisas não duram. A tecnologia evolve a um ritmo tal que, pouco após ter comprado algo, é lançada uma versão mais recente, melhor e mais rápida. Frequentemente deitamos fora coisas não porque estão avariadas, mas porque queremos um modelo mais recente.

O impacto disto sobre o ambiente é alarmante. Muitos dos nossos dispositivos contêm substâncias tóxicas que são nocivas para o ambiente. Chama-se e-Waste (Desperdícios electrónicos) – e constitui um problema crescente em todo o globo. Como companhia tecnológica, a Microsoft está empenhada em fazer parte da solução.

Recentemente visitei o Centro WEEE (Waste Electrical and Electronic Equipment), o único Centro de Gestão de e-Waste no Quénia, e regressei sentindo-me muito privilegiado por ter conhecido, e me ter associado, com esta organização maravilhosa e entusiasta. Microsoft tem, de facto, sido parceira com o fundador do centro, Dr. Tom Musili, há mais de 10 anos.

 O Dr. Musili dirigiu-me numa visita ao centro e explicou como reciclam o ‘e-Waste’. É muito mais complexo do que imaginei. O centro separa os desperdícios para estabelecer o que pode ser reutilizado e o que deve ser desmantelado em partes para reciclagem. Os cabos são separados e desguarnecidos para utilizar o cobre. Plástico duro é triturado em pó e misturado com plástico para produzir postes de vedação. É particularmente difícil lidar com alguns artigos, tais como computadores com os antigos ecrãs de Tubo de Raio de Cátodo (CRT), que contêm substâncias muito nocivas. Estes são desmantelados com uma máquina especial que corta o vidro para ser reutilizado. As placas mães (dos computadores e telefones) também são de difícil manuseamento, e são despachadas para uma associada na Bélgica que se especializa na sua eliminação em modo compatível com o ambiente.

Dar nova vida a velhos computadores

Claro, alguns computadores descartados ainda funcionam – ou necessitam somente de alguma manutenção. Ninguém os quer, mas Musili está convencido que ainda podem servir uma função importante em escolas com poucos recursos. E concordo com ele. Se bem que as escolas Africanas não deveriam obter ‘restos’ da sociedade restante, não se pode disputar o facto que um computador velho é preferível a nenhum computador. Com o mercado de consumo de maior crescimento no Mundo, estamos certos de  adquirir uma quantidade crescente de dispositivos no continente. Os nossos canais de eliminação de hardware usada deve, portanto, ser óptimo para reciclar partes úteis e destruir e-waste e proteger o ambiente.

Esta é a base racional que apoia o segundo projecto de Musili, ‘Computadores para as escolas do Quénia’, que renova computadores velhos para uso em escolas que presentemente não têm computadores. A organização não só equipou já mais de 100 000 escolas com computadores, mas trabalhou para os manter, formou mais de 20 000 educadores e forneceu certificados de informática a estudantes.

O mês passado Computadores para as Escolas do Quénia associou-se à TechSoup Global Network (Rede Global TechSoup). Como TechSoup Quénia, a organização pode agora suplementar a sua oferta de hardware e serviços com software a preços muito económicos em conjunto com parceiros doadores de TIC, tais como a Microsoft, assim como com o apoio de ONGs para tirar o maior partido das suas aquisições e infra-estrutura de TIC.

 Assim, a próxima vez que tiver um computador ou telemóvel que pretende eliminar, procure o seu serviço de reciclagem mais próximo ou organização de e-Waste. Pelo menos sabe que os seus dispositivos apoiam uma causa justa.

 


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